quarta-feira, 27 de maio de 2009

Observador.


Hoje foi um daqueles dias.

Aqueles dias onde me apetece por o mundo do avesso virar tudo de pernas para o ar, colocar as coisas fora de ordem, fora do sentido comum. Foi um daqueles dias onde apetecia subir uma montanha e ficar lá no alto, bem lá no pico a olhar cá pra baixo e apenas a observar. A observar o que os reles mortais fazem na sua quotidiana vida. Hoje, sem sombra de dúvida, apetecia-me ser Deus.

Não um Deus omnipresente, um Deus que ajuda. Não, nada disso. Queria apenas ser um Deus observador cuja sua única tarefa é observar e analisar o mais infímo pormenor da vida humana.

O facto é que não sou. Não sou e mesmo que quisesse ser pelo menos, uma observadora um tanto ou quanto atenta, o meu ritmo de vida não me o permite. Porquê? Porque a minha vida é cheio de rebuliço, prazos apertados, livros, estudos, horários de autocarros, filas para o almoço, filas para tirar bilhete, filas para tirar uma reles sandes no bar. Por vezes, até, filas para ir à casa de banho!!

Mas afinal que vida é a nossa? Estamos aqui neste mundo que nem formigas, correndo para a morte, sem que nos importemos com isso. Que importa ter um curso, ter a melhor sandes, ter os melhores sapatos, as melhores roupas, enfim, ser o melhor? Se no fim, tudo aquilo que nos resta é sermos cinza e pó? Pois bem, não nos serve de nada. Melhor, nunca serviu e muito provávelmente nunca irá servir. Somos uns seres complexados, com altas necessidades de adrenalina e de stress. Mas digam-me lá a verdade, se a melhor parte do dia não é depois de almoço, quando estamos na esplanada, com um lindo dia de sol, a conversar e principalmente a dizer baboseiras, que nos sentimos melhor? Não será aí que nos sentimos finalmente puros, ladeados das pessoas que nos conhecem tão bem que até seria uma falta de respeito estar com formalidades? Irão negar também que não há nada melhor do que estar sentados na varanda bem à noitinha e ver as estrelas que se encontram no céu? Ou pensam que a vida não é feita disso mesmo? Desses pequenos momentos dos quais tantas vezes abdicamos para apenas adiantar algo que para nós será um grande acontecimento? Pois, demasiadas vezes. Nós somos aquilo que escolhemos ser. Isto é a verdade. Se escolheres ser hipócrita, hipócrita serás. Se escolheres ser humilde, humilde serás. É tal e qual como isto. E a verdade é que os nossos amigos da 'esplanada ao fim do almoço' não nos escolheram por estas qualidades. Não nos escolheram por sermos simpáticos ou humildes pois se fosse por isso pessoas cínicas e hipócritas estariam sozinhas neste mundo. Escolheram-nos pela maneira como enfrentamos a vida, pelo nosso pestanejar, pela forma como andamos, pela forma como rimos e sobretudo pela forma como nos damos a conhecer. Para arranjar um amigo, se virmos bem, não é necessário grande esforço. Basta querermos. Pois toda a gente tem o seu lado engraçado, o seu lado hipócrita, o seu lado ingénuo... Claro que umas características se podem evidenciar mais que outras. Mas a verdade é que, todos, mas todos nós somos seres sociais. Por isso não desprezemos pequenos momentos como o tempo de esplanada apenas para preparar eventos maiores. Sejamos nós próprios, sejamos aquilo pelo qual nos chamam de amigo.


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